domingo, 22 de setembro de 2013

Bem-vinda


Mancha que se mistura ao meu corpo e alma, minha essência, meus sentimentos, meu comportamento, minha música, meus cosmos. 

Seu Francisco e a Oração de um Jovem Triste


Muitas histórias dos bares que frequentara, sendo umas das mais ilustres as que envolviam a presença de Antônio Marcos, romântico desiludido, alcoólatra e fumante. Sentia-se sua tosse, seus pulmões, seus pólipos, sua angústia...

E foram-se os homens.

E FIQUEM COM DEUS.

Tabuleiro


Os peões, aos montes e passo a passo, lenta e maciçamente, partem no pelotão da frente. Caso sobrevivam, podem chegar ao alto escalão;

A torre, de vigor vertical e horizontal, caminha o quanto se quer, na defesa, no ataque, abertura do alçapão;

Os surpreendentes cavalos, que por sobre os outros obrigam o movimento do rei-opositor;

O bispo, que diagonalmente faz o sinal da cruz, ora e atua nas cruzadas, bem-feitor;

A (primeira-)dama, a melhor e mais gostosa de todas as peças, faz o que quer;

Mas no fim das contas é a queda do rei que decreta o fim da guerra, mesmo sem querer.

Adeus batucada


Acordo. Hoje resolvo não fazer nada que costumo fazer todos os dias. Não escovo os dentes, não tomo banho: enfrento a sujeira. No café da manhã, sirvo-me de uma caneca de cerveja importada bem gelada para afrontar a lucidez. Os telefones tocam e continuam a tocar, não atendo com o intuito de encarar a solidão. Saio de casa, caminho solitariamente e vou a lugares altos, encaro o medo de altura, da vertigem. Não ouço a música que tanto amo num só minuto deste dia, um embate com a falta da arte que me seduz. Não faço o que os outros querem, contesto tudo e a todos em nome da minha autonomia autodestrutiva. Até que decido dar fim a minha vida.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Salve o meu carnaval














Amparo e me deparo
com a tua fé, no fim da fileira,
ao pé da ladeira da Sé.
Misericórdia mamulengo,
tenha dó dos bonecos de Olinda
e do Homem-da-Meia-Noite,
que sorriem todo tempo
pela felicidade do carnaval.
Sem pausa para a tristeza,
folclore do Maracatu Rural
pelos Quatro Cantos do mundo,
onde sequer descanso, sigo o ritual.
Aceito meu carma de Papangu;
encontro-te no Carmo, angu meu.

Trechos de um soneto

De início, pronta sintonia, alquimia
de perto e ao longe, quantas conversas!
Versa que o carinho transcorria,
viria a calhar e até hoje não cessa!


(...)

Saudade que dá, que se sente -
longitude, aperto cônscio no coração -
de repente, não mais que de repente.

Tu és

Do peso emotivo que te constitui, do rigor formal;

densidade que pensa maduramente, mérito sintático.

Como o Livro de Sonetos, naturalmente ático;

não se esgota, ao contrário, aguça-se a vibração aural.