sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sonoridade


Grande parte do que ouço falar remete a ti:
o rock, tua agressividade;
um pop, teu carisma;
cada reggae, teu sossego.
A vida real – sonoridade –
é meu musical – personalidade tua.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Do amor


 - Conhecemos alguém e nos apaixonamos.

O motivo, esclarecido ou não, é que algo naquela pessoa nos desperta interesse, curiosidade, admiração. Esse algo pode ser uma característica física, um traço na personalidade, algum tipo de habilidade... Ou tudo junto!

- Inicia-se um relacionamento, fase de descobertas. O tempo passa e... Ao poucos começamos a conhecer detalhes no outro que nos irrita.

Naturalmente se faz uma comparação entre as qualidades e os defeitos, sendo a balança um aparato cruel: mais sofrimento que prazer significa fim de relação. Mas o que interessa aqui é falar sobre o caso em que o saldo é positivo, o caso em que se julga sair no lucro.

- No fundo, não nos contentamos. Indagamos sobre querer viver por muito tempo ao lado de tantas qualidades, porque o outro tem como contrapartida aquela mania, aquele hábito. Então, a pessoa promissora, com tanta potencialidade, passa a ser alvo de modelação, pois desejamos moldar o(a) nosso(a) parceiro(a).

Interessante é não querer alguém passivo, que concorde com e aceite tudo; nem querer alguém completamente autônomo, sem flexibilidade, que não considere opiniões. O preferível é que se tenha ao lado alguém com personalidade, mas que vez por outra abra mão. Isso simboliza algo muito importante, representa pequenas vitórias no processo de molde. "Pequenas mudanças, grandes negócios".
Quando não se consegue moldar, acaba-se o relacionamento e fica-se a sensação de que algo acabou pela metade. A sensação de que com um pouco mais de tempo fosse possível mudar (o outro ou a si?).

- Às vezes ouço relatos sobre “os amores da minha vida” e reflito sobre isso. Normalmente esses amores são amores passados, poucas vezes coincidem com o atual relacionamento. São amores conjugados no futuro do pretérito do indicativo, nos subjuntivos. É como se não se tratasse de amor em si (em seu sentido mais abrangente), pois o amor nesses casos me parece ser muito mais psicológico que factual.

A gente se lembra não é por amor; a gente não se esquece da frustração.


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Tato



Fato
O coração pulsa mais forte, nato,
E todos os líquidos do corpo fluem diferentes,

Corre sangue pelas veias!
Vigor, arrebato a solidão

Haja saliva!
Corpos, paixão, fim de celibato

E tome suor!
E o recato segue seu rumo longe daqui

O odor que exala reflete a tal química,
Que distancia e aproxima, que faz a vontade e educa, que mima e enrijece

Agora pacato, encaro, sensato, fato gerador
Bon appétit
Bom tato
  

Marcas


  
Sei que à flor da pele
a sensação sob as costelas
não é das melhores.
Quero de volta
a força dos meus músculos,
a frieza da alma,
o grito na garganta.
Quero coragem, solidez
na boca do estômago,
sem ânsia, sem dor,
sem fluxo de sentimentos ruins.

Que tudo cicatrize.

Movimento Perpétuo II

Pouco a pouco se apetece.
Que tudo dilua ptialina.

As coisas seguem seu fluxo
natural,
até o aconchego,
embate:
      tudo será devastado,
      absorvido, eliminado;
      algo fica, mas parte se vai,
      assim, sem apego.

E, a cada fim, um novo recomeço,
uma liberdade conquistada.
De novo se sofre,
novamente se é feliz.
De novo se sofre...

E pouco a pouco se apetece,
afinal de contas é tudo de lua aqui em Amaralina.


domingo, 13 de julho de 2014

Vadiagem


Veja bem, veja.

Sensação déjà vu,
Aquele mal acordado,
Aquela preguiça que almeja.

Olha para os pés,
Olha para o teto, não enseja
E fecha os olhos.

Tenta dormir mais uma vez,
Vira para o lado, para o outro,
Que assim seja.

Depois de um último gole de cerveja,
Beija eu.

Sodoma

Antes de tudo, com os olhos marejados, percebo a importância de todas as coisas, o trajeto percorrido, o esforço do dia-a-dia. Mas nem sempre dá certo, funciona, se vence. Às vezes falta alguma coisa, às vezes não se explica tudo e o acaso se intromete para apropriar-se da situação (isto é, a soma dos quadrados dos resíduos).

Mas sigamos nossos caminhos para disputarmos nossos lugares ao sol, já com a vasta experiência de nossos passados, almas e corpos calejados: porque nem sempre dá certo, funciona, se vence.

Mas às vezes dá.