quarta-feira, 31 de março de 2010

Idiossincrasia


Assumamos: o ser humano não presta. 

Como diria Hobbes, somos animais sem escrúpulos e vivemos numa guerra de todos contra todos - num caos disfarçado pelo contrato firmado entre a sociedade civil e o Estado. Conhecendo essa característica, constata-se o perigo de confiarmos em nossa consciência como juiz de nossos atos.

Não quero ser visto como um eterno pessimista, pelo contrário. Ao meu ver podemos lutar contra esta natureza, a fim de minimizá-la. No entanto, precisamos constatar que não prestamos para nos policiar.

Não se exclua. Pare de achar que os outros não prestam. Não é saudável termos um excelente conceito de nós mesmos, sempre. Isso omite parte que nos pertence.

Lição de casa:
a) Através da ética descritiva, constatamos: "não presto!".
b) Através da ética normativa, objetivamos: "consertarei isto!".

BOA SORTE!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Peripécias do Futebol


"A bola está furada,
O fato é que não haverá futebol".

Espanca-se o juiz, afinal a culpa é sempre dele;
Técnicos orientam a filosofia das coisas, do jogo;
Jogadores imaginam o desenho das nuvens, jogadas.

Hoje não haverá partida em parte alguma -
Futebol (ou a falta dele) também é arte.

terça-feira, 16 de março de 2010

Préstito desqualificante


                  Ter como norte a perfeição - um pecado.

                           A falta de mostras de percepção - outro.

        Não ser enquadrado como detentor

                  De qualidades prioritárias, segundo

            A concepção do homem perfeito,

                              Com inúmeras percepções expostas:
                
                      C'ondução do cadáver à sepultura.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Religião não se discute

 
            Ouço nos bares e mesas de discussões que religião não se discute. Se isso significar que não devemos tentar convencer o outro de que sua fé está errada, tudo bem. Afinal de contas, é bom que se respeite a opinião alheia. No entanto, existem alguns aspectos religiosos que podem e devem ser discutidos.
            O fanatismo, por exemplo, às vezes se relaciona de modo peculiar com a religião. Sabe-se que o fanático, pessoa animada por um zelo excessivo, aflora algumas características do homem Hobbesiano: somos todos egoístas e competitivos e, se necessário a preservação de nossa espécie (ou de nosso grupo), somos traiçoeiros e violentos. Este tipo de sentimento pode nos deixar a flor da pele, sensíveis e perigosos.
“A crença forte só prova a sua força, não a verdade daquilo em que se crê” (Nietzsche)
Este mesmo fanatismo nos remete a outro tipo de problema: a intolerância religiosa. E parece ser razoável o argumento de Voltaire¹ de que o fanatismo religioso deve ser combatido com o pluralismo – “quanto mais seitas houver, menos perigosa cada uma será, pois a multiplicidade as enfraquece”.
Poder-se-ia perguntar: se as religiões podem aflorar sentimentos extremistas e intolerantes, não seria mais conveniente destruí-las? Creio que não, baseado na seguinte idéia: é mais plausível e útil adorar divindades do que viver de forma incrédula. O homem precisa ter esperanças e fé para ser menos pessimista e agressivo. A Lei por si só, reprime crimes conhecidos; a religião, por sua vez, reprime os crimes secretos. O Direito e a religião, destarte, se complementam para moldar o comportamento do homem, ser “imprestável” (que não presta), para que este seja capaz de viver em sociedade com o menor número de maléficos egocentrismos possíveis.
“Quando o homem não tem noções claras e sadias da divindade, as idéias falsas ocupam o seu lugar” (Voltaire)
Em busca de um sentido a própria vida – qual o motivo de se lançar ao fanatismo, que leva a destruição?
Bem, se Deus quisesse que todos obrigatoriamente participassem de seu culto, seria pelo fato desse culto ser essencial a sobrevivência de todos. Se fosse tão necessário, o culto seria realizado por Ele; se fosse tão fundamental, o culto seria uniforme por toda parte, pois todas as coisas essenciais aos homens são universais: comer, beber, respirar etc.
Analisar e questionar são deveres de qualquer um que respeita a razão. O raciocinar pela metade só leva ao fanatismo e falsas superstições, pois aquele que não aceita questionar sua fé, sem dogmas e sua religião, perdeu esta capacidade inerente a todo homem: o pensar.





[1] Voltaire: humanista liberal que estabelece um combate à intolerância e ao fanatismo. Tolerância como valor moral, defesa radical da condição humana.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pra que minha vida siga adiante









Choro um choro infinito,
   Mas cessarei de chorar;
      Sou gente grande - d'alguma vivência -,
         Careço tentar e tentar,
            Outra
             Lágrima.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Filosofia Pop

Sempre estivemos habituados a compreender a filosofia como uma ciência canônica, tradicional; uma ciência que prioriza autores e temas clássicos. Mas a partir dos anos 2000, Roberto Feitosa - professor da Unirio, pós- doutor em Filosofia - iniciou o debate acerca de um novo rumo para a filosofia. Filosofia esta dirigida mais ao povo, em detrimento do erudito.

Diante desta acessibilidade, interessei-me de imediato. Trata-se do heterogêneo, de algo suscetível a diversas influências (da música, do teatro etc.), sem perder a complexidade do pensamento. Desta forma, a FP procura contagiar-se pelas artes, deixar que os conceitos sejam norteados pelas imagens. Assim sendo, as percepções e os horizontes podem ser ampliados e se enriquece a compreensão de mundo.
A expressão “Filosofia Pop” não foi escolhida a toa. O objetivo desta nomenclatura é provocar, visto que ela incomoda e atrai. Contudo pop não significa popular. Enquanto o popular comumente recebe dois tipos de julgamento - ou é menosprezado ou é celebrado como se fosse o único e autêntico - o pop passou por uma verdadeira mutação semântica.
Nos anos de 60’s e 70’s existia uma espécie de primeira roupagem do pop: o movimento de contracultura, que defendia a liberação sexual e fazia resistência a hierarquia e autoridade. O segundo tipo de pop, massificante: comercial, industrial e homogeneizante. O terceiro, está totalmente vinculado ao protocolo para troca de emails na internet. Bem amigos, certo é que outros pop’s virão.
Feita a explicitação do termo, retomamos a FP e seu objetivo: buscar o meio termo para que a filosofia não vire receita de bolo, nem se transforme numa espécie de mistério sagrado, isto é, não descuidar do conteúdo nem deixar que o mesmo se torne extremamente codificado (e fora de contexto, em tempo e espaço).
Historicamente, percebe-se um ciclo relativo a valores: ora versão, ora inversão de dicotomias. Em sua tipologia versão, diz-se que o belo é melhor que o feio; quando inversão, que o feio é melhor que o belo, sem uma análise mais profunda acerca da questão - algo simplesmente alternativo, menos ordinário.  É nesse contexto que a FP ruma à ex-versão: como pensar na obra de arte para além do binômio beleza/feiúra?
Se tentarmos enxergar o mundo sob outra ótica, talvez consigamos expandir nossa hermenêutica das coisas: o não filósofo pode aprender a pensar; o filósofo pode reaprender a pensar não filosoficamente.
A FP então é uma filosofia híbrida, nômade, capaz de romper com a divisão da cultura. Ela se coloca em relação a não filosofia, para que diferentes saberes se interfiram. Trata-se mais de uma atitude do que um campo definido...
“Ao povo em forma de arte”.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Luiza



(...)
"Jeito apaixonado, apaixonante,
Mediante diversas personalidades
Na infância, adolescência e adultância.
Entre lápis, tinta e fluxogramas,
Nota-se uma independência dependente,
Envolta por desatenção rara,
Pantomimas e bons gemidos.

(...)
Serenidade sem fim, praticamente desenhada,
Veia artística e hereditária - a alegria da mãe.
Tens uma grandeza que me faz falta
E uma gargalhada tão gostosa
Que nos faz rir ao tentar cair, sempre.

(...)
Porque és linda de todas as formas possíveis.

(...)