Conhece-se um certo alguém, compartilha-se uma intimidade
efetivamente personal, vivenciam-se
momentos únicos (viagens, filhos, superações etc.) e... Ok. No fim das contas tudo
acaba. Até aí compreensível, diversos interesses estão em jogo, não é fácil
lidar com tudo isso.
De fato é certo acabar, de um jeito ou de outro.
De fato é mais provável o rompimento.
De fato é mais racional o interesse individual.
O que acho estranho é que depois da separação o antigo casal
finja que o outro não exista, ou, ainda, se cumprimentem de modo tão escasso e
superficial.
Ok, alguns dirão que na maioria dos casos o rompimento não foi
consensual, alguém machucou outro alguém. Deste modo o agente machucado tende a
se fechar (se defender) ou o agente machucador acaba dando espaço para que o
outro se recupere. Não quero discutir essas possibilidades, no entanto.
Outros dirão que é difícil delimitar a fronteira entre o
amor e a amizade. Ainda assim, acho esquisito quando duas pessoas, que
recuperadas de suas desilusões, ajam do mesmo modo que os atuais sofredores. Isto
é, ex sofredores, atuais sofredores... todos no mesmo barco, o dos que não conseguem sobrepor as boas recordações.
Mas posso dizer que conheço alguns poucos casos onde o antigo
namoro virou uma boa amizade.
Entretanto, será que existe diferença entre a maioria dos ex-amantes?
Será que grande parte dos antigos sofredores de fato são antigos? SofrIDOS...
Definitivamente não gosto de travesseiros grossos. Numa noite dessas, um grande dilema me fez perder o sono: como classificaria o travesseiro que eu estava usando? Certamente este desfecho iria influenciar o restante de minha noite. Seria o travesseiro fino ou grosso? De cara, pensei ser grosso, porém de menor calibre, o que chamaria de "travesseiro grosso fino". Num segundo momento, democraticamente (hi Marx) e dando chance ao contraditório, levantei a possibilidade de ser fino. Ok, um fino fofinho, um "fino grosso". Como eu precisava ser razoável, considerei ser "fino grosso", apesar de achar o contrário. Caso contrário, não dormiria. No fim das contas, fui enganado (por mim mesmo) e enalteci a necessariedade da mentira.Perdi-me nas idéias.