- Conhecemos alguém e nos apaixonamos.
O motivo, esclarecido ou não, é que algo naquela pessoa nos
desperta interesse, curiosidade, admiração. Esse algo pode ser uma
característica física, um traço na personalidade, algum tipo de habilidade... Ou
tudo junto!
- Inicia-se um relacionamento, fase de descobertas. O tempo
passa e... Ao poucos começamos a conhecer detalhes no outro que nos irrita.
Naturalmente se faz uma comparação entre as qualidades e os
defeitos, sendo a balança um aparato cruel: mais sofrimento que prazer
significa fim de relação. Mas o que interessa aqui é falar sobre o caso em que
o saldo é positivo, o caso em que se julga sair no lucro.
- No fundo, não nos contentamos. Indagamos sobre querer viver
por muito tempo ao lado de tantas qualidades, porque o outro tem como contrapartida
aquela mania, aquele hábito. Então, a pessoa promissora, com tanta
potencialidade, passa a ser alvo de modelação, pois desejamos moldar o(a) nosso(a) parceiro(a).
Interessante é não querer alguém passivo, que concorde com e
aceite tudo; nem querer alguém completamente autônomo, sem flexibilidade, que
não considere opiniões. O preferível é que se tenha ao lado alguém com personalidade,
mas que vez por outra abra mão. Isso simboliza algo muito importante,
representa pequenas vitórias no processo de molde. "Pequenas mudanças, grandes
negócios".
Quando não se consegue moldar, acaba-se o relacionamento e fica-se a
sensação de que algo acabou pela metade. A sensação de que com um pouco mais de
tempo fosse possível mudar (o outro ou a si?).
- Às vezes ouço relatos sobre “os amores da minha vida” e
reflito sobre isso. Normalmente esses amores são amores passados, poucas vezes coincidem com o atual relacionamento. São amores conjugados no futuro do pretérito do indicativo, nos subjuntivos. É como se não se tratasse de amor em si (em seu sentido mais abrangente), pois o amor nesses casos me parece
ser muito mais psicológico que factual.
A gente se lembra não é por amor; a gente não se esquece da frustração.