terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Restos mortais

Na cidade dos ossos, morre tudo que se planta.
Sobre a manta, seu pseudofruto,
Colosso-produto brotado num fosso.

Há quem chupe os ossos até o caroço;
Há quem os roa, baile sobrecoroa;
Ar de plebeu, com ou sem alvoroço.

Tanta magreza, como bandeira de pirata,
Em estado de “osso e pano”.
Entra ano, sai ano, sem alguma bravata.

Lá não há quem grosso seja, insosso,
Que traga na bandeja, nem almoço, nem janta,
Só garganta, sem pescoço.

Faz num esboço, sua vida vincenda e vindoura,
Anticaloura, não é mais moço.
Do fundo do poço, sem lenda, não doura.

Tanto detalhe que chega a reclamar,
Mas são “ossos do ofício”.
Um vício, dos que não se consegue largar.






segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"Um fósforo chamado você"

Toda felicidade possível,
concentrada num minuto.
Enviada assim, em primeiro,
num segundo.
E sob o risco de atitudes
drásticas, dramas
que podemos evitar.
Então ficamos assim,
"felizes".

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Parabéns de verdade, não só pela data, mais um ano de vida; três de existência; milhares de amores e paixões.
Parabéns também por sua essência digna, que dá saudades, desflora sentimentos e emoções, inspira uma vida inteira.
Parabéns por ser verdadeira!

domingo, 21 de dezembro de 2014

P-a-pá

Vais do céu ao inferno,
Ou o inverso (tão pá!).

Sei o que queres e do que precisas.
Sei que posso te dar, mas não devo fazê-lo (tão pé!).

Porque és tão fácil, tão difícil?
Que incontido e desprezível suor,
que dispersa (tão pó!)!

E hoje venho desapegando das coisas carnais
(a não ser que seja retrô),
o que torna tudo mais árduo, imodesto
(tão pu-ruruca).

sábado, 20 de dezembro de 2014

Suspeita


Sei de sua experiência de vida,
De alguns de seus feitos...
Mesmo assim,
Não consigo confiar no que diz, em seus atos.
O seu cabelo não nega mulata,
Seus olhos dizem outra coisa.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Fuga Descartiana

Penso que tu logo existes,
mas saístes de minha vida.

No entanto, porém,
rondas
meus
terrenos,
pairas por aí,
por aqui.

Diga-me a verdade, não és a met-ade
do que deverias ser.
Fizeste-te de certo, caminho a b e r t o
para o falecer.

Mas não deixeis cair em tentação,
livrai-nos do mal, do bem,

descanses e ME DEIXE (em paz).


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Resignação


É fácil entender, é fácil.
Eis que ela surge para reforçar
tua fé no que acreditas;
encadear-te em teus próprios princípios,
os mais difíceis de cumprir.

Cantes sozinho por aí,
mas não abandones tua crença
no que te é verdadeiro,
mesmo que custe o conforto,
mesmo que sofras.
O que é virtuoso é virtuoso
e disso ela não te deixa esquecer.

Seja o abrir mão,
a resignação, o altruísmo,
a liberdade de vícios.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sacada



Meus olhos ardem de tanto descanso.
A mansidão da sacada
revela a secura das águas -
particular melancolia fluvial -,
o remanso, a ex-balada, esse astral.
A luz do sol me deixa assim;
A da lua também.